terça-feira, 8 de novembro de 2011

Fábrica sem Patrão no Brasil

Em uma rua de chão ao lado da fábrica Flaskô, em Sumaré (SP), dois homens caminham com materiais de trabalho na mão. Perguntados se sabiam que estavam perto de uma experiência inovadora na história do Brasil, uma fábrica sem patrão, um deles pergunta, claramente surpreso: “Como assim, sem patrão?”. O outro, rapidamente, encontra a explicação: “É, ele morreu”. Mas ele, na verdade, eles – Luís e Anselmo Batschauer, da Corporação Holding Brasil – estão vivos e cheios de dívidas.   

O fato é que eles não mandam mais na fábrica de transformação de plástico, que produz vários tipos de embalagens industriais, ocupada e sob comando dos trabalhadores desde 2003. 
De lá pra cá, a Flaskô colecionou processos judiciais, vitórias, cortes de energia, apoiadores, decepções, enfrentamentos diretos e indiretos e hoje, oito anos depois, pode dar aulas de resistência. É a única fábrica ocupada efetivamente por trabalhadores no Brasil, mas mesmo assim sustenta fazer parte do Movimento de Fábricas Ocupadas, na expectativa de que ele possa vir a ser reconstituído.  

A leitura é a seguinte: em momentos de crise, o cerco contra a Flaskô aperta. Porque apesar de pequena - são 69 trabalhadores e trabalhadoras – representa um modelo perigoso. “É uma fábrica isolada, a princípio inofensiva, do ponto de vista da nossa capacidade de influenciar a luta de classes, mas é um mau exemplo [do ponto de vista dos patrões]. Sabemos que quando a situação começa a ficar crítica, os trabalhadores podem recorrer à ocupação de fábrica”, avalia Josiane Lombardi, do Centro de Memória Operária e Popular (Cemop), e pesquisadora do tema da gestão operária. “Estamos vivendo um momento angustiante. A gente sempre sofreu ataques, desde o começo, mas tem momentos em que eles se concentram, e este é um deles. Estamos discutindo uma campanha daqui até o final do ano para divulgar que os ataques estão ficando mais sérios e que os apoiadores têm que estar alertas porque não sabemos o que vai acontecer”, aponta. 
Atualmente, são dois ataques principais: uma máquina - uma das Injetoras Semeardo - vai a leilão virtual no mês de outubro, para tentar cobrir uma dívida de mais de R$ 40 mil relativa a um processo de 1998, da gestão patronal. Outro, ainda mais grave, é um pedido de penhora de 50% do faturamento total da fábrica, o que inviabilizaria completamente a produção. Segundo Josiane, a Flaskô tem um faturamento bruto que gira em torno de R$ 600 mil por mês. Metade desse valor é destinado à compra de matéria-prima, o restante é dividido entre gastos, como energia, e a folha de pagamento. “São movimentos para fechar a fábrica, e eles têm consciência disso”, pontua. 

Segundo o informe jurídico do advogado Alexandre Mandl publicado no fanzine Chão de Fábrica - um dos instrumentos de comunicação da Flaskô - nenhum lance para a máquina foi feito na primeira fase do leilão, que prossegue até o dia 31 de outubro. A intenção agora é convencer a Justiça a pensar a fábrica “com todo o significado social que tem e, por isso, buscar solução para os 200 processos existentes em Sumaré, e não um processo em si”. 
A situação se complica porque os antigos patrões deixaram uma dívida avaliada em R$110 milhões, sendo que 70% são de impostos com o poder público, e a Justiça cobra dos trabalhadores ao invés de procurar aqueles que deixaram o rombo. A gestão operária paga direitos trabalhistas de ex-funcionários que não tinham seus direitos assegurados. Para efeitos de cobrança, os trabalhadores na gestão da fábrica são reconhecidos, mas para a negociação das dívidas, não. 

Estatização

Com base na contradição envolvida na questão das dívidas, a proposta dos trabalhadores é a estatização. Essa bandeira surgiu na ocupação da Cipla - que também é do grupo Holding Brasil - que ocorreu em 2002. Nesse ano, trabalhadores da Cipla e da Interfibra, depois de greve de oito dias cobrando o pagamento imediato dos salários atrasados e dos direitos não pagos, decidem ocupar as fábricas e retomar a produção. O empresário Luís Batschauer concordou em passar “o comando administrativo e operacional” das fábricas para a gestão dos trabalhadores. 
No entanto, passou junto suas dívidas, de mais de R$ 500 milhões. Os trabalhadores, reunidos em um Conselho Administrativo Unificado, passaram a cobrar que a empresa fosse expropriada, como uma forma de o governo cobrar dos patrões as dívidas com os cofres públicos. Em junho de 2003, fazem a I Caravana a Brasília, cobrando a “estatização para salvar 1070 empregos”, já incluídos os 70 da Flaskô, que estava na iminência de fechar. No dia 12, acontece a ocupação da fábrica em Sumaré. 
“A fábrica deve ser de propriedade pública, é nesse sentido a estatização. Praticamente todo o patrimônio está penhorado em função de dívidas, a maioria com os governos, estadual, federal e municipal. O governo não precisaria investir para estatizar essa fábrica. Ao expropriar, deveria cobrar dos donos que fossem pagas as dívidas, ele estaria retomando os bens, sanando as dívidas com os ativos, ativos que estão gerando empregos, lazer, moradia...”, explica Josiane, que participou de um grupo responsável por formular uma emenda à Lei 4132, de 1962, que define os casos de desapropriação por interesse social. A proposta é uma mudança no artigo 2º da lei, acrescentando o seguinte inciso como característica de interesse social: “O aproveitamento produtivo de empresas abandonadas ou falidas que passaram a ser geridas por seus funcionários, sob qualquer modalidade de autogestão”. 

“Esse instrumento de desapropriação é utilizado pelo poder público o tempo todo; para fazer obras, viadutos. Mas cria também uma possibilidade com o mesmo caráter, que inclui a modalidade de interesse social, que permite a desapropriação não apenas por interesse do Estado, mas por interesse social. Queremos incluir uma emenda que fala da demanda de aproveitamento produtivo de empresas abandonadas ou falidas”, explica Josiane.
Esse modelo se assemelha ao que ocorre na Argentina, país que tem cerca de 200 fábricas recuperadas, incluindo empreendimentos como padarias, açougues, hotéis.  



Conselho de fábrica

Há 23 anos trabalhando na Flaskô, Eurico Rocha de Oliveira Filho chama o período anterior à ocupação de “patronal”. Ele explica a diferença: “aqui não tem patrão pra ficar pegando no pé, para começar. Tem mais liberdade para trabalhar. Tem que ter assembleia, reunião de conselho... Na patronal, você só trabalha, não sabe de nada. Só recebe o pagamento e olhe lá”. Giovani Carlos da Silva trabalha na área de expedição, carregamento e recebimento há oito anos, desde a ocupação. “Aqui a gente não trabalha sob a pressão dos patrões, cada um faz o seu serviço, não é pressionado a trabalhar pro patrão”. 
A forma de organização é o conselho de fábrica, com assembleias que acontecem ao menos uma vez por mês, mas podem ser convocadas a qualquer momento. Já o conselho é composto por 11 membros, com eleição anual. Todos os setores - os três turnos da produção, segurança, predial, mobilização, ferramentaria e administrativo - elegem representantes.

30 horas semanais

Foi o conselho de fábrica, em diálogo na assembleia, que programou a reformulação da jornada de trabalho. Josiane Lombardi, do Cemop, conta que a primeira mudança aconteceu em 2004, quando a jornada foi reduzida de 44 para 40 horas semanais, deixando o sábado livre. Em 2006, houve a redução para 30 horas, sem diminuição de salários. Feita com o apoio da Cipla, que já havia passado por esse processo, a produção foi reorganizada e foi possível manter a produtividade. Uma das medidas foi a eliminação de um dos turnos de produção - das 18h à meia-noite - responsável por um alto consumo de energia. 

Outra conquista da fábrica sob controle dos trabalhadores é a queda no número de lesões por movimentos repetitivos. “Não teve mais ninguém afastado com LER desde que a fábrica foi ocupada”, ressalta Josiane Lombardi, que pesquisou as experiências da Cipla, Interfibra, Flaskô e Zanon (fábrica recuperada argentina) em sua tese de doutorado defendida na USP.  

Para maiores informações visite: http://www.defenderaflasko.blogspot.com/

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Percurssos Urbanos do Centro Cultural Banco do Nordeste

De olho na Copa
 
Dia 12, sábado, 15h às 18h30
A Copa do Mundo vem, mas você sai da sua casa, ok? Troca oferecida a mais de 5.000 famílias em Fortaleza, para que algumas obras da Copa 2014 sejam realizadas. E o Comitê Popular da Copa de Fortaleza lançou a ação “OlhoMágico, de olho na cidade”, projeto em educomunicação para o fortalecimento da luta dos moradores das áreas atingidas, cujo objetivo é capacitá-los em produção audiovisual como um recurso para resistência e fiscalização de tais mudanças. Para esta tarde, a proposta é que acompanhados pelos participantes do projeto, façamos uma foto-reportagem. Seremos recebidos e conduzidos pelos moradores das áreas atingidas, tomando conhecimento de seus pontos de vista, problemas e soluções que apresentam como alternativas. Produziremos um ensaio fotográfico coletivo, entenderemos por que estas populações resistem produzindo imagem, conteúdo e fato. Uma visão de quem está por fora, mas quer entrar. Sugerimos que quem puder leve câmeras digitais, celulares com câmeras. 210min.

Mediador: Roger Pires, coordenador de um dos núcleos do OlhoMágico; comunicador social.
Participantes: Interessados em geral, mediante inscrição prévia.
Ponto de Saída: Centro Cultural Banco do Nordeste.
Inscrições: A partir de 08/11, na recepção do CCBNB.


“Sabi” em transição
 
Dia 19, sábado, 15h às 18h30
Inspirados pelo Movimento Cidades em Transição um grupo de moradores da região da Unidade de Conservação da Sabiaguaba está partindo para ação para tornar real o primeiro bairro ecológico da cidade de Fortaleza. Passearemos por esta região das lagoas, rios, dunas e mangues, de grande relevância ambiental, acolhidos por estes moradores. Eles estarão nos conduzindo e trocando experiências, soluções e mostrando seu estilo de vida e opções, renovando as possibilidades para a vida urbana e apresentando várias experimentações ecossustentáveis e suas metodologias, técnicas, filosofias, resultados, expectativas e o encantamento com estas descobertas. 210min.


Mediadora: Luciana Campos, permacultora, designer em sustentabilidade e membro do grupo Sabiaguaba em Transição.
Participantes: Interessados em geral, mediante inscrição prévia.
Ponto de Saída: Centro Cultural Banco do Nordeste.
Inscrições: A partir de 16/11, na recepção do CCBNB.


Coisas e o escambau
 
Dia 26, sábado, 15h às 18h30
E as coisas? Porque há coisas vulgares, descartaveis e coisas que duram uma vida, uma memória? E de onde elas vieram? Pra onde elas vão? Onde se acumulam na cidade?  Como e por onde escoam e se transformam? Há coisas que escapam de virar lixo, recomeçam uma história baratinha ou que não tem preço, virando soluções de problemas individuais e até mesmo de interesse público. Seguir coisas pelos sebos, colecionadores, brechós, lojas de usados e reciclagem é nossa missão neste sábado. Sugerimos que os participantes tragam coisas para o escambo ao final do passeio. 210min.

Mediadora: Fernanda Meireles, arte-educadora e escritora.
Participantes: interessados em geral, mediante inscrição prévia.
Ponto de saída: Centro Cultural Banco do Nordeste.
Inscrições: A partir de 22/11, na recepção do CCBNB.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Povos do Xingu - o filme

Gravado durante o encontro dos Povos do Xingu entre os dias 28 de outubro e 4 de novembro de 2009, o filme Povos do Xingu contra a construção da Belo Monte, segue sendo exibido no escuro.
Um dos encontros históricos dos Povos do Xingu.


A Usina Belo Monte se construida será a terceira maior Hidrelétrica do mundo e vai causar um impacto ambiental de mais de 9 milhões de hectares de florestas alagados. Inúmeras outras fontes de energia renovavel e não-poluentes já são realidade como as Usinas de Enérgia Eólica e Solar.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Os Cabeludos da Encantada

Os Cabeludos da Encantada, esse é o nome do documentário de treze minutos, que mosta o cotidiano de luta da aldeia Jenipapo-Kanindé pela demarcação do seu territorio. 

Produzido em parceria com a Prefeitura de Aquiraz, o documentário será lançado hoje dia 28 de outubro na aldeia Lagoa da Encantada, no munícipio de Aquiraz, região metropolitana de Fortaleza-CE, às 19h.


Outro tema retratado no vídeo, segundo ela, é a luta recente dos professores indígenas pela formação. A aldeia tem uma instituição de ensino, a Escola Indígena da Lagoa da Encantada, que funciona nos três turnos, do 1º ao 9º ano do ensino fundamental e com educação para jovens e adultos. 
Em Entrevista concedida ao Jornal O Povo (28/10/2011) a cacique Irê, fala que o documentário tem o intuito de registrar e transmitir os valores indígenas não apenas para as escolas de outras etnias. O objetivo, segundo ela, é que o documentário chegue principalmente a alunos de escolas regulares municipais e estaduais de todo o Ceará. “São valores para que se reconheça a realidade de um povo”.

Vale lambrar que a luta da etnia jenipapo-kanindé pela demarcação das suas terras entrou em conflito com a empresa Pecém Agroindustrial, do Grupo Ypióca. Em julho deste ano, a Justiça Federal determinou, em segunda instância e por decisão liminar, a suspensão das atividades da empresa na Lagoa da Encantada. 

Documentário: Os Cabeludos da Encantada
Direção: Sinval Guimarães
Produção: Secretária de Cultura de Aquiraz
Duração: 13 min. 

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A Copa que Ninguém Vê

Segue o pequeno curta-metragem (DOC) produzido pela OLR e outras entidades, sobre a realizade das obras da Copa do Mundo de Futebol.
E dia 25 de Outubro, haverá um Ato no Aldaci Barbosa, Fortaleza-CE, às 17h, concentração no CSU.

Educadores/as lançam Manifesto Contra o fechamento das escolas do meio rural.

Um grupo de professores, intelectuais e entidades da área da educação assinaram manifesto lançado pelo MST, dia 14/10/2011, que denuncia o fechamento de 24 mil escolas no meio rural e cobra a implementação de políticas para o fortalecimento da educação do campo.

“Fechar uma escola do campo significa privar milhares de jovens de seu direito à escolarização, à formação como cidadãos e ao ensino que contemple e se dê em sua realidade e como parte de sua cultura. Num país de milhares de analfabetos, impedir por motivos econômicos ou administrativos o acesso dos jovens à escola é, sim, um crime!”, denuncia o documento.

Entre 2002 e 2009, mais de 24 mil escolas do campo foram fechadas. Os dados do Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação, apontam que, no meio rural, existiam 107.432 escolas em 2002. Já em 2009, o número de estabelecimentos de ensino reduziu para 83.036.



O manifesto é assinado pela filósofa Marilena Chauí, professora de Filosofia da Universidade de São Paulo, os educadores Dermeval Saviani, doutor em Filosofia da Educação e professor da Universidade Estadual de Campinas, Gaudêncio Frigotto, professor titular aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF) e Roberto Leher, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, entre outros.

Entre as entidades, subscrevem o documento a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e a Ação Educativa.

 
Abaixo, leia o manifesto.

CAMPANHA FECHAR ESCOLAS É CRIME!

Mais de 24 mil escolas do campo foram fechadas nos últimos oito anos


A Educação é um direito fundamental garantido pela Constituição Federal (Título II - Dos Direitos e Garantias Fundamentais, Capítulo III, seção I) - direito de todos e dever do Estado. Entretanto, nos últimos anos, milhares de crianças e adolescentes, filhos e filhas de camponeses, estão sendo privados deste direito.

Nos últimos oito anos, mais de 24 mil escolas do campo foram fechadas. Os dados do Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação, apontam que, no meio rural, existiam 107.432 escolas em 2002. Já em 2009, o número de estabelecimentos de ensino reduziu para 83.036.

Para essas famílias camponesas, o anúncio do fechamento de uma escola na sua comunidade ou nas redondezas significa relegar seus filhos ao transporte escolar precarizado, às longas viagens diárias de ida e volta, saindo de madrugada e chegando no meio da tarde; à perda da convivência familiar, ao abandono da cultura do trabalho do campo e a tantos outros problemas.

O resultado comum desse processo é o abandono da escola, por grande parte daqueles levados do campo para estudar na cidade. É por essa razão que os níveis de escolaridade persistem muito baixos no campo brasileiro, em que pese tenha-se investido esforços e recursos para a universalização da educação básica.

Portanto, fechar uma escola do campo significa privar milhares de jovens de seu direito à escolarização, à formação como cidadãos e ao ensino que contemple e se dê em sua realidade e como parte de sua cultura. Num país de milhares de analfabetos, impedir por motivos econômicos ou administrativos o acesso dos jovens à escola é, sim, um crime!

A situação seria ainda mais grave não fosse a luta dos movimentos sociais do campo, por políticas de ampliação, recuperação, investimentos, formação de educadores e construção de escolas no campo. Importantes para reduzir a marcha do descaso dos gestores públicos para com os sujeitos do campo, mas insuficiente para garantir a universalização do acesso à educação no campo.

Denunciamos essa trágica realidade e conclamamos aos gestores públicos municipais, estaduais e federais que suspendam essa política excludente, revertendo o fechamento de escolas e ampliando o acesso à educação do campo e no campo. Conclamamos também a sociedade brasileira para que se manifeste em defesa do direito humano à educação, em defesa dos direitos das crianças, adolescentes e jovens do campo frequentarem a educação básica, no campo.

Defender as escolas do campo é uma obrigação, fechar escolas é um crime contra as futuras gerações e a própria sociedade!

Assine a Petição Online: Aqui

Logo do III ENA Ceará

Pessoal a Logo do III Encontro Nacional de Arteducadores - ENA - no Ceará está pronto.
Em breve traremos mais notícias.

sábado, 22 de outubro de 2011

A história das Coisas

O documentário "História das Coisas" produzido pela ambientalista Annie Leonard, conta um pouco sobre o surgimento da política do consumismo.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A tinta vermelha: discurso de Slavoj Žižek aos manifestantes do movimento Occupy Wall Street

Slavoj Žižek visitou a Liberty Plaza, em Nova Iorque, para falar ao acampamento de manifestantes do movimento Occupy Wall Street (Ocupe Wall Street), que vem protestando contra a crise financeira e o poder econômico norte-americano desde o início de setembro deste ano.


Não se apaixonem por si mesmos, nem pelo momento agradável que estamos tendo aqui. Carnavais custam muito pouco – o verdadeiro teste de seu valor é o que permanece no dia seguinte, ou a maneira como nossa vida normal e cotidiana será modificada. Apaixone-se pelo trabalho duro e paciente – somos o início, não o fim. Nossa mensagem básica é: o tabu já foi rompido, não vivemos no melhor mundo possível, temos a permissão e a obrigação de pensar em alternativas. Há um longo caminho pela frente, e em pouco tempo teremos de enfrentar questões realmente difíceis – questões não sobre aquilo que não queremos, mas sobre aquilo que QUEREMOS. Qual organização social pode substituir o capitalismo vigente? De quais tipos de líderes nós precisamos? As alternativas do século XX obviamente não servem.
Então não culpe o povo e suas atitudes: o problema não é a corrupção ou a ganância, mas o sistema que nos incita a sermos corruptos. A solução não é o lema “Main Street, not Wall Street”, mas sim mudar o sistema em que a Main Street não funciona sem o Wall Street. Tenham cuidado não só com os inimigos, mas também com falsos amigos que fingem nos apoiar e já fazem de tudo para diluir nosso protesto. Da mesma maneira que compramos café sem cafeína, cerveja sem álcool e sorvete sem gordura, eles tentarão transformar isto aqui em um protesto moral inofensivo. Mas a razão de estarmos reunidos é o fato de já termos tido o bastante de um mundo onde reciclar latas de Coca-Cola, dar alguns dólares para a caridade ou comprar um cappuccino da Starbucks que tem 1% da renda revertida para problemas do Terceiro Mundo é o suficiente para nos fazer sentir bem. Depois de terceirizar o trabalho, depois de terceirizar a tortura, depois que as agências matrimoniais começaram a terceirizar até nossos encontros, é que percebemos que, há muito tempo, também permitimos que nossos engajamentos políticos sejam terceirizados – mas agora nós os queremos de volta.
Dirão que somos “não americanos”. Mas quando fundamentalistas conservadores nos disserem que os Estados Unidos são uma nação cristã, lembrem-se do que é o Cristianismo: o Espírito Santo, a comunidade livre e igualitária de fiéis unidos pelo amor. Nós, aqui, somos o Espírito Santo, enquanto em Wall Street eles são pagãos que adoram falsos ídolos.
Dirão que somos violentos, que nossa linguagem é violenta, referindo-se à ocupação e assim por diante. Sim, somos violentos, mas somente no mesmo sentido em que Mahatma Gandhi foi violento. Somos violentos porque queremos dar um basta no modo como as coisas andam – mas o que significa essa violência puramente simbólica quando comparada à violência necessária para sustentar o funcionamento constante do sistema capitalista global?
Seremos chamados de perdedores – mas os verdadeiros perdedores não estariam lá em Wall Street, os que se safaram com a ajuda de centenas de bilhões do nosso dinheiro? Vocês são chamados de socialistas, mas nos Estados Unidos já existe o socialismo para os ricos. Eles dirão que vocês não respeitam a propriedade privada, mas as especulações de Wall Street que levaram à queda de 2008 foram mais responsáveis pela extinção de propriedades privadas obtidas a duras penas do que se estivéssemos destruindo-as agora, dia e noite – pense nas centenas de casas hipotecadas…
Nós não somos comunistas, se o comunismo significa o sistema que merecidamente entrou em colapso em 1990 – e lembrem-se de que os comunistas que ainda detêm o poder atualmente governam o mais implacável dos capitalismos (na China). O sucesso do capitalismo chinês liderado pelo comunismo é um sinal abominável de que o casamento entre o capitalismo e a democracia está próximo do divórcio. Nós somos comunistas em um sentido apenas: nós nos importamos com os bens comuns – os da natureza, do conhecimento – que estão ameaçados pelo sistema.
Eles dirão que vocês estão sonhando, mas os verdadeiros sonhadores são os que pensam que as coisas podem continuar sendo o que são por um tempo indefinido, assim como ocorre com as mudanças cosméticas. Nós não estamos sonhando; nós acordamos de um sonho que está se transformando em pesadelo. Não estamos destruindo nada; somos apenas testemunhas de como o sistema está gradualmente destruindo a si próprio. Todos nós conhecemos a cena clássica dos desenhos animados: o gato chega à beira do precipício e continua caminhando, ignorando o fato de que não há chão sob suas patas; ele só começa a cair quando olha para baixo e vê o abismo. O que estamos fazendo é simplesmente levar os que estão no poder a olhar para baixo…
Então, a mudança é realmente possível? Hoje, o possível e o impossível são dispostos de maneira estranha. Nos domínios da liberdade pessoal e da tecnologia científica, o impossível está se tornando cada vez mais possível (ou pelo menos é o que nos dizem): “nada é impossível”, podemos ter sexo em suas mais perversas variações; arquivos inteiros de músicas, filmes e seriados de TV estão disponíveis para download; a viagem espacial está à venda para quem tiver dinheiro; podemos melhorar nossas habilidades físicas e psíquicas por meio de intervenções no genoma, e até mesmo realizar o sonho tecnognóstico de atingir a imortalidade transformando nossa identidade em um programa de computador. Por outro lado, no domínio das relações econômicas e sociais, somos bombardeados o tempo todo por um discurso do “você não pode” se envolver em atos políticos coletivos (que necessariamente terminam no terror totalitário), ou aderir ao antigo Estado de bem-estar social (ele nos transforma em não competitivos e leva à crise econômica), ou se isolar do mercado global etc. Quando medidas de austeridade são impostas, dizem-nos repetidas vezes que se trata apenas do que tem de ser feito. Quem sabe não chegou a hora de inverter as coordenadas do que é possível e impossível? Quem sabe não podemos ter mais solidariedade e assistência médica, já que não somos imortais?
Em meados de abril de 2011, a mídia revelou que o governo chinês havia proibido a exibição, em cinemas e na TV, de filmes que falassem de viagens no tempo e histórias paralelas, argumentando que elas trazem frivolidade para questões históricas sérias – até mesmo a fuga fictícia para uma realidade alternativa é considerada perigosa demais. Nós, do mundo Ocidental liberal, não precisamos de uma proibição tão explícita: a ideologia exerce poder material suficiente para evitar que narrativas históricas alternativas sejam interpretadas com o mínimo de seriedade. Para nós é fácil imaginar o fim do mundo – vide os inúmeros filmes apocalípticos –, mas não o fim do capitalismo.
Em uma velha piada da antiga República Democrática Alemã, um trabalhador alemão consegue um emprego na Sibéria; sabendo que todas as suas correspondências serão lidas pelos censores, ele diz para os amigos: “Vamos combinar um código: se vocês receberem uma carta minha escrita com tinta azul, ela é verdadeira; se a tinta for vermelha, é falsa”. Depois de um mês, os amigos receberam a primeira carta, escrita em azul: “Tudo é uma maravilha por aqui: os estoques estão cheios, a comida é abundante, os apartamentos são amplos e aquecidos, os cinemas exibem filmes ocidentais, há mulheres lindas prontas para um romance – a única coisa que não temos é tinta vermelha.” E essa situação, não é a mesma que vivemos até hoje? Temos toda a liberdade que desejamos – a única coisa que falta é a “tinta vermelha”: nós nos “sentimos livres” porque somos desprovidos da linguagem para articular nossa falta de liberdade. O que a falta de tinta vermelha significa é que, hoje, todos os principais termos que usamos para designar o conflito atual – “guerra ao terror”, “democracia e liberdade”, “direitos humanos” etc. etc. – são termos FALSOS que mistificam nossa percepção da situação em vez de permitir que pensemos nela. Você, que está aqui presente, está dando a todos nós tinta vermelha.

Fonte: Blog da Boitempo Aqui

sábado, 15 de outubro de 2011

Entrevista a Davi Kopenawa - Um guerreiro da Amazônia

Cinquenta anos atrás, os Yanomami ficaram mundialmente conhecidos como os últimos homens da Idade da Pedra a serem descobertos pela civilização ocidental. Neste início do século XXI, com um panorama catastrófico da ocupação não indígena na Amazônia, uma das críticas mais duras e profundas a esse modelo de “civilização” chega justamente da boca de um xamã yanomami. Os primitivo, quem diria, somos nós.

Desde os anos 80, Davi Kopenawa se notabilizou como um dos líderes indígenas mais conhecidos da Amazônia. A profundidade e complexidade de suas reflexões políticas o levou mais longe. Além de prêmios renomados, como o Prêmio Global 500 da ONU, hoje, seu pensamento é reconhecido internacionalmente. Recentemente, lançou em Paris o livro A queda do céu, Palavras de um xamã yanomami. Nele estão seus pensamentos recolhidos em Yanomami pelo etnólogo Bruce Albert, seu amigo há mais de 30 anos.

O pensamento de Davi é uma crítica radical ao capitalismo vinda dos confins da floresta. Para ele, nós, ocidentais, o “povo da mercadoria”, estamos doentes, dada nossa incapacidade de ouvir. E os riscos disso não são poucos. Kopenawa sabe bem do que fala. A corrida pelo ouro levou seu povo a ser dizimado por epidemias e conflitos trazidos pelo garimpo, na década de 1980. Sua atuação política contra o garimpo foi fundamental para a demarcação da Terra Indígena Yanomami, em 1992, ao norte da Amazônia, na divisa com a Venezuela.

“Vamos lançar esse livro. Vamos ver se os novos vão abrir os ouvidos”, diz. Esperamos que sim, afinal, segundo as palavras de Davi, se o “povo da mercadoria” não quiser que o céu caia sobre ele, é preciso que ajude a impedir a morte dos indígenas. O dia que o último indígena morrer, será o fim do mundo.

A seguir entrevista exclusiva concedida a Desinformémonos.

Quando você ainda era criança e viu o homem branco pela primeira vez, ficou apavorado. Tua mãe te escondeu em um cesto para que se acalmasse. Hoje a história de contato do homem branco com seu povo demonstrou que tinha razão nesse medo?
Eu tinha razão mesmo. Hoje eu cresci e ainda olho para o homem branco desconfiado. Agora estou aqui na cidade, eu não conhecia o movimento da cidade, muito carro, muita gente, muito barulho. Agora eu cresci e encontrei o homem branco interessado pela nossa terra, nossa riqueza, enganando também o povo indígena. Quando virei homem, com 20 anos, comecei a lutar com o homem da cidade, o homem político que não quer saber de nós, não quer respeitar o direito do povo indígena, do povo Yanomami. Eu comprei essa briga. Agora eu estou defendendo meu povo, brigando com político, para não deixar meu povo sofrer.

Como você ganhou tanto destaque nessa briga?
Sou um filho do Yanomami que enxerga e vê, reclama com os políticos. O homem grande da cidade, o governo, para mim ele significa um gigante, um Golias. Ele é um espírito grande que quer tomar toda nossa floresta destruindo. Querem acabar com o povo indígena do Brasil. Mas eu reforcei a luta e fui mandado para enfrentar homem. A força da natureza mostrou o caminho para meu povo ficar na frente, como se joga bola de futebol. Minha luta é tipo futebol, que vem apanhando muito, apanhando dos políticos, aprendendo a defender. Precisa de coragem para enfrentar o homem.

Até hoje estou aqui. Conversando com vocês, conversando com antropólogo, com autoridades, para eles mudarem o pensamento e não repetirem o preconceito que eles têm. Preconceito nós todos temos, do índio e do branco. Então pelo menos tem que ouvir nossa voz. Conversar com a Funai também e com os antropólogos. Nosso governo está cuidando do nosso país e vocês lendo meu escrito no papel que meu amigo escreveu, que eu pedi para divulgar para outros estudantes, outros professores. Para mim isso é importante para fazer uma barreira, para não fazerem mais maldade de nós.

Nós somos gente, somos seres humanos, somos legítimos dessa terra. Isso eu aprendi e agora sou liderança do povo Yanomami, represento eles no Brasil e no mundo. Hoje em dia o mundo conhece o nome do povo Yanomami. Os teus filhos, a tua filha, vão continuar lendo, escutando o nome dos indígenas do Brasil que estão lutando. Essa é nossa luta para poder viver. Sem luta, sem reclamação é morte, morre muita gente. É importante que você esteja aqui me entrevistando. Queria que você escrevesse para nosso amigo que estuda na escola, as moças novas que não conhecem o índio, que nunca foram na aldeia, que nunca conheceram indígena. Então é bom essa mensagem para que acreditem que estamos defendendo nosso país.

Há muitos anos os Yanomami lutam contra o garimpeiro em suas terras. Quais os danos que essa atividade econômica já fez ao seu povo e às suas terras?
Essa história é muito triste para mim, mas eu posso contar. O tempo do garimpo foi em 1985 e em 1986, aconteceu uma invasão de 40 mil garimpeiros na nossa terra. A Funai se levantou, mas não fez força para tirar eles rápido. O Garimpeiro na terra Yanomami foi muito ruim, muito forte, porque o próprio governo abriu as portas para os garimpeiros trabalharem e invadirem nossa terra. Os garimpeiros mataram muitos Yanomami e, depois da invasão, chegou a doença do garimpo: malária, tuberculose, gripe, cachaça, bebida alcoólica. E também homem mau que mata a gente, aconteceu muito. Mas não gosto de falar muito porque eu sofri demais por causa do meu povo.

Eu sobrevivi e também reforcei a lutar para não deixar morrer os parente Yanomami no tempo do garimpo. O garimpo estragou nosso rio, derramou veneno (como o mercúrio), óleo, gasolina. Mataram peixe, destruíram todo nosso rio. E até hoje a doença não saiu. Porque a doença ninguém pega, a doença a Polícia não pega de volta. A doença entrou e então continua. Eu tive sorte que umas e outras lideranças me ajudaram para indicar meu nome para ONU. O prêmio Global 500 abriu muito espaço para eu poder sair. Porque aqui no Brasil eu não consigo, não tem governo bom, aqui só se promete. Foi a ONU que me deu apoio para sair do meu país e ir para outro mundo para contar a história do meu povo Yanomami, dizer o que que o governo está fazendo, que o governo está deixando morrer meu povo, que os garimpeiro estão destruindo a natureza.

Como está o garimpo hoje em dia nas terras Yanomami?
O governo Collor resolveu tirar garimpeiro e demarcar nossas terras. Os garimpeiros foram embora, mas depois eles voltaram. Eles voltaram até hoje e estão aumentando. Essa é nossa preocupação de novo. Os garimpeiros são bichos, como o bicho porco, que ficam metendo o nariz no chão. Então eles são porcos. E o garimpo continua, entraram de novo, até hoje estão lá trabalhando. Continuam sujando nosso rio. Isso daí não mudou não.

No seu livro, lançado na França e que ainda será lançado no Brasil, você alerta para o risco de que ocorra a “queda do céu” sobre o “povo da mercadoria”. Será que o “povo da mercadoria” não se dará conta de que o caminho que trilha é obscuro, a tempo?
Você chama planeta, nós chamamos Hutomosi, que fica em cima da gente. Esse é o perigo. Ninguém está olhando para ele, ninguém está sonhando com o que vai acontecer. Minha mensagem que solto na minha boca, é que o céu só vai cair quando não tiver mais índio, quando não tiver mais floresta, mais rio, mais povo indígena. Não tem mais pajé, acabou a floresta e o mundo vai inundar. O mundo vai inundar e vai pensar naquele que matou: o homem branco que matou meu povo, matou a floresta, destruiu tudo, não tem mais índio na terra, então o mundo nosso (chama Hutukara) vai se vingar para matar o povo da terra.

É assim que falo para meu amigo [Bruce Albert] escrever no papel para o povo acreditar. Isso aí é a mensagem. Tendo índio, tendo pajé, não vai acontecer. Isso não vai acontecer agora não, nós vamos viver ainda. É por isso que vocês têm que pensar e divulgar para outros também pensarem e defenderem nossa floresta, nosso povo.

Antigamente o céu que está aqui caiu, matou o povo. Nós somos sobrevivência do humano. Hoje, é o pajé que trabalha para segurar a onda do mundo, a onda do céu, para não cair. Esse é meu trabalho, para não deixar acabar meu povo Yanomami. Com os pajés, com o Pata (sábios), e para eles não morrerem de doença, gripe, malária. Então estou aqui falando com autoridades da cidade, para eles cuidarem. Se eles não quiserem cuidar, se morrermos nós todos, os índios, sem ajuda, então eu falo: sem índio, sem a floresta, o mundo vai cair, o mundo vai se vingar como aconteceu antigamente.

Do que os índios e os pajés precisam para não acabarem?
Os pajés Yanomami precisam apoio de saúde. O governo brasileiro tem dever de cuidar da saúde Yanomami. Não só, de outros parentes também: Tikuna, Makuxi, Wapixana, Waiwai, Waimiri-Atroari, Xavante, Kayapó… O governo brasileiro tem que cuidar de saúde, dar vacina, remédio, para eles fazerem tratamento. Tem que dar saúde de qualidade para cuidar do meu povo, para não deixar morrer os pajés que estão cuidando do nosso mudo.

Como você entende essas epidemias do contato?

Eu e meu povo chamamos essas epidemias de Xawara. Xawara é um espírito mau, que transmite doenças como gripe, sarampo, malária, tuberculose e outras doenças que vem andando. Porque essaXawara é lá da Europa, ela vem trazida de outros povos, de outros países. Aqui no Brasil não tinha Xawara, hoje sim, porque eles a trazem nos corpos de avião, de navio. Assim que vem trazida essa Xawara para ficar nas aldeias, nas comunidades. Ela ataca nós, ataca nossa alma, ataca nossos filhos, nossas mulheres, eles ficam doente. Xawara quer dizer “canibal” em português.

Enquanto xamã, o que acha que pode ser feito para que o povo da mercadoria abra os ouvidos e adquira sabedoria para parar de destruir esse mundo que é de todos?
Isso é complicado, é difícil. Nós já falamos muito, mas o povo só quer destruir para fazer mercadorias, as mercadorias que ficam embaixo da terra. Mercadoria dos brancos, significa destruir a natureza para tirar riqueza da terra: ouro, diamante, pedras preciosos, a madeira também. Isso é pensamento dos homens brancos. Para ele parar de fazer isso não tem remédio, não tem pessoal… Não tem cura para ele. Porque a raiz do pensamento que quer tirar mercadoria da terra, é profunda, a raiz está no pensamento da autoridade, que não vai parar de pensar não. Ele vai continuar pensando, tirando cada vez mais a riqueza da terra. Esse homem é louco. Homem ficou doente, com o pensamento doente. Ele não pensa, não escuta nós, nem lê, não acredita. Só acredita nele, porque ele tá com dinheiro na mão. Dinheiro, avião, carro, navio, armas pesadas, os exércitos estão junto com ele. Mas para parar, ele não vai parar não. Mas eu venho tentando, conversando para pararem de destruir a natureza.

Não tem cura então?

Não tem cura, não tem remédio. Só tem cura se mudar, como lavar uma panela. O homem que domina nós, que manipula nós, ele não pensa em nós, não pensa em vocês. Nós falamos, mas ele não quer perder mercadoria, não quer parar de destruir, não quer deixar de fabricar. Fabrica mais para vender mais, para negociar mais. Eu acredito que isso é difícil e para mudar só um governo novo, um governo bom. Eu não tenho um chefe nessa terra, não tenho amigo bom para governar o mundo. Para governar e controlar essa fábrica de mercadoria: mercadoria panela, rede, calção, carro, elétricos, internet, televisão. Ele não percebe não, porque ele é homem doente. Nós tentamos fazer ele escutar, mas ele não escuta. Ele é homem seco, não quer parar de tirar mercadoria. Mercadoria para mim significa tirado da terra pra fazer tijolo, cimento, madeira, ouro, diamante, para fazer vidro, pra fazer televisão. Isso tudo é material, mercadoria da terra. É tirado da terra.

Como conseguir um governo bom que resolva essa situação?

Para parar de fazer isso, para parar de fabricar, para parar de tirar é preciso mudar a mamadeira do governo, a mamadeira de todo mundo, de todos os governos que nosso país elege. Existe uma mamadeira só. Quando um governo sai e o outro vem, ele mama a mesma mamadeira. Essa mamadeira é suja, o governo não quer trocar. Nós Yanomami, falamos que tem que trocar a mamadeira, tem que trocar para outro governo bom, honesto, que quer ajudar o povo indígena, quer parar o que não presta. Para mudar a mamadeira, só os futuros, o futuro nosso, repensar. Nós não podemos mudar essa mamadeira. Hoje o presidente é uma mulher, ela está mamando a mesma mamadeira que José Sarney mamou, que o Collor mamou, que o Lula mamou. Não mudou anda. Eu pensava que o presidente mulher ia usar mamadeira nova e a cadeira nova.

Como conquistar essa “mamadeira nova”?
Depende do povo, porque o povo tem medo de reclamar. O povo quer mudar, mas autoridade não quer mudar não, porque ela quer dinheiro do povo, não sabe como ficaria se mudasse. Nem Deus não vai mudar. Assim sempre vai funcionando nosso país, nosso chefe, nossa autoridade, vão continuar maltratando nosso povo. Não tem emprego bom, não tem casa boa, não tem comida para crianças comer, muitos aqui na rua estão comendo lixo. A criança fica morando na favela, o chefe não vai dar a casa boa para ela. Não vai dar emprego bom para eles trabalharem e para ele ficar contente. Um fica triste e outro fica contente porque tá com salário bom, mercadoria boa, tá comendo comida boa, de primeira qualidade. É isso que o governo come. Esse daí pata xawara come. E nós? Comemos cabeça, orelha, tripa, essa é nossa comida. Para mercadoria, mudar a cabeça do homem é difícil.

Como é sua vida atualmente em meio a tanta atividade política?
Continuo morando junto com meu povo Yanomami. Não posso deixar meu povo sofrer sozinho, estou aqui porque sou representante do meu povo, sou porta-voz do meu povo. Não tenho casa para ficar na cidade, minha casa está na aldeia, meus filhos, família, mulher, estão todos lá. Eu tenho um lugar, uma casa na cidade, chama Hutukara Associação Yanomami. Nós criamos uma associação [em 2004] para ficar perto do governo. Se eu ficar todo tempo na aldeia, não resolve, não posso reclamar porque não estou vendo. Se vou perto da cidade, junto, olhando olho no olho para a Funai, o governador, o presidente, eu reclamo. Por isso fico na cidade dois meses, depois eu volto para a aldeia. A minha casa é na aldeia, não é na cidade. Eu não moro na cidade, eu fico trabalhando. Sou tipo um guardião do meu povo, fico vigiando, fica perto do computador para poder comunicar para São Paulo, Brasília, Manaus, comunicar para outro mundo.

O que você diria para “os novos” que ainda podem abrir os ouvidos?
Eu queria dize ruma mensagem para você mandar para as crianças e os estudantes que não conhecem sobre nós, não conhecem a floresta, não conhecem a comunidade, não conhecem meu povo, não conhecem os costumes tradicionais, não conhecem os pajés, as curandeiras, que estão lá na minha aldeia. Os novos da cidade que estudam, precisam se aproximar de nós. Precisamos aproximar nossos filhos para fazer amizade, para ficarem amigos, para defenderem, para lutarem juntos. Essa é minha mensagem para o povo da cidade. Se ele achar boa minha ideia que estou gravando aqui. Difunde pra quem quiser escutar, o professor, a professora, para ensinar as boas coisas, para preservar a natureza. Isso vale para os povos de todo o mundo: Venezuela, Colômbia, Equador, Brasil, México, Europa, Argentina, Japão. Queria que nossa mensagem chegasse para outro pessoal que escute e sinta vontade de ajudar. Nossa luta é importante para nosso povo e para o povo brasileiro, não só para o Yanomami. Tem que ter índio aqui nessa terra. O povo da floresta precisa também ajudar o não-índio. Sabemos que minha pele é diferente, mas nos somos um ser humano só. Não tem diferença. O sangue, a pele é diferente, mas nosso criador do mundo chama Omamë , ele fala que somos todos irmãos, um ser humano só. Corre um sangue só.


Fonte: Desinformemonos

sábado, 8 de outubro de 2011

Greve Suspensa - A luta continua em silêncio

Após 63 dias de greve, os professores decidem em assembléia voltar para as salas de aula durante trinta dias, afim de negociar com o governo do Estado do Ceará.


A maior greve da história dos professores das escolas estaduais foi marcada pela grande mobilização social, por ocupações da Assembléia Legislativa do Ceará e pela forte repressão do governo estadual que usou e abusou da violência com a polícia militar e as ameaças de demissão em massa se a greve não termina-se.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Sangue Latino - Eduardo Galeano

Belíssimo depoimento do escritor uruguaiu Eduardo Galeano* ao Canal Brasil, sua visão poética sobre o nosso planeta em especial o nosso continente.




*Autor do livro "Veias Abertas da América Latina"

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Educar para a celebração da vida e da Terra, Leonardo Boff

              Dada a crise generalizada que vivemos atualmente, toda e qualquer educação deve incluir o cuidado para com tudo o que existe e vive. Sem o cuidado, não garantiremos uma sustentabilidade que permita o planeta manter sua vitalidade, os ecossistemas, seu equilíbrio e a nossa civilização, seu futuro. Somos educados para o pensamento crítico e criativo, visando uma profissão e um bom nivel de vida, mas nos olvidamos de educar para a responsabilidade e o cuidado para com o futuro comum da Terra e da Humanidade. Uma educação que não incluir o cuidado se mostra alienada e até irresponsável. Os analistas mais sérios da pegada ecológica da Terra nos advertem que se não cuidarmos, podemos conhecer catástrofes piores do que aquelas vividas em 2011 no Brasil e no Japão. Para se garantir, a Terra poderá, talvez, ter que reduzir sua biosfera, eliminando espécies e milhões de seres humanos.

             Entre tantas excelências, próprias do conceito do cuidado, quero enfatizar duas que interessam à nova educação: a integração do globo terrestre em nosso imaginário cotidiano e o encantamento pelo mistério da existência. Quando contemplamos o planeta Terra a partir do espaço exterior, surge em nós um sentimento de reverência diante de nossa única Casa Comum. Somos insepráveis da Terra, formamos um todo com ela. Sentimos que devemos amá-la e cuidá-la para que nos possa oferecer tudo o que precisamos para continuar a viver.
             
             A segunda excelência do cuidado como atitude ética e forma de amor é o encantamento que irrompe em nós pela emergência mais espetacular e bela que jamais existiu no mundo que é o milagre, melhor, o mistério da existência de cada pessoa humana individual. Os sistemas, as instituições, as ciências, as técnicas e as escolas não possuem o que cada pessoa humana possui: consciência, amorosidade, cuidado, criatividade, solidariedade, compaixão e sentimento de pertença a um Todo maior que nos sustenta e anima, realidades que constituem o nosso Profundo.

              Seguramente não somos o centro do universo. Mas somos aqueles seres, portadores de consciência e de inteligência. pelos quais o próprio Universo se pensa, se conscientiza e se vê a si mesmo em sua esplêndida complexidade e beleza. Somos o universo e a Terra que chegaram a sentir, a pensar, a amar e a venerar. Essa é nossa dignidade que deve ser interiorizada e que deve imbuir cada pessoa da nova era planetária. Devemos nos sentir orgulhosos de poder desempenhar essa missão para a Terra e para todo o universo. Somente cumprimos com esta missão se cuidarmos de nós mesmos, dos outros e de cada ser que aqui habita.

            Talvez poucos expressaram melhor estes nobres sentimentos do que o exímio músico e também poeta Pablo Casals. Num discurso na ONU nos idos dos anos 80 dirigia-se à Assembléia Geral pensando nas crianças como o futuro da nova humanidade. Essa mensagem vale também para todos nós, os adultos. Dizia ele:
A criança precisa saber que ela própria é um milagre, saber, que desde o início do mundo, jamais houve uma criança igual a ela e que, em todo o futuro, jamais aparecerá outra criança como ela. Cada criança é algo único, do início ao final dos tempos. E assim a criança assume uma responsabilidade ao confessar: é verdade, sou um milagre. Sou um milagre do mesmo modo que uma árvore é um milagre. E sendo um milagre, poderia eu fazer o mal? Não. Pois sou um milagre. Posso dizer Deus ou a Natureza, ou Deus-Natureza. Pouco importa. O que importa é que eu sou um milagre feito por Deus e feito pela Natureza. Poderia eu matar alguém? Não. Não posso. Ou então, um outro ser humano que também é um milagre como eu, poderia ele me matar? Acredito que o que estou dizendo às crianças, pode ajudar a fazer surgir um outro modo de pensar o mundo e a vida. O mundo de hoje é mau; sim, é um mundo mau. E o mundo é mau porque não falamos assim às crianças do jeito que estou falando agora e do jeito que elas precisam que lhes falemos. Então o mundo não terá mais razões para ser mau.
             
                Aqui se revela grande realismo: cada realidade, especialmente, a humana é única e preciosa mas, ao mesmo tempo, vivemos num mundo conflitivo, contraditório e com aspectos terrificantes. Mesmo assim, há que se confiar na força da semente. Ela é cheia de vida. Cada criança que nasce é uma semente de um mundo que pode ser melhor. Por isso, vale ter esperança. Um paciente de um hospital psiquiátricoque visitei, escreveu, em pirografia, numa tabuleta que ma deu de presente:”Sempre que nasce uma criança é sinal de que Deus ainda acredita no ser humano”.
            
             Nada mais é necessário dizer, pois nestas palavras se encerra todo o sentido de nossa esperança face aos males e às tragédias deste mundo.

Leonardo Boff é autor de “Cuidar da Terra-proteger a vida”, Record, Rio de Janeiro 2010.
Texto extraido do blog pessoal de Leonardo Boff.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Tintas Naturais: A inovação de uma técnica milenar.

        A maior parte das tintas fábricadas industrialmente possuem compostos orgânicos voláteis (COVs) que poluem o ar, um dos príncipais responsáveis pela acidificação do ar, contaminando a àgua, o solo e a atmosfera com o seu descarte.
        Na contramão dessa política de consumo do mundo, voltamos um pouco ao passado, para avaliar a utilização de tintas naturais, não poluentes e sustentáveis podendo ser fabrica em casa. É possível fazer muitas cores utilizando elementos da natureza.
 
    
Tinta de legumes e/ou verduras
Ingredientes: água e pedaços de beterraba ou couve
Modo de preparação: Bata no liquidificador o legume ou a verdura com pouca água. Não é necessário coar.
Variações: Para obter uma massa mole, acrescente farinha de trigo e óleo.
Para conseguir efeito aguarela, acrescente água. Ainda é possível engrossar a tinta. Coloque tudo numa panela, acrescente amido de milho ou farinha de trigo à mistura e cozinhe até ficar com aparência de papa. Poderá ser usada quando estiver fria ou morna.
 
 
Tinta de terra
Ingredientes: água, terra (preta, vermelha ou marrom), cola branca
Modo de preparação: Num recipiente, amoleça a terra com pouca água e acrescente a cola. A massa deve ficar com aparência de papa.
Variações: Adicione serragem ou pó de serra para adquirir textura.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Venha partilhar um Abraço.


Uma das atividades realizadas pela ABRA é o Encontro Nacional de Arteducadores – ENA, cuja terceira edição será realizada em junho de 2012 no Estado do Ceará como tema: “Abraçando Culturas Solidárias e Comunidades Sustentáveis” e tendo como objetivo proporcionar espaços de diálogo, troca de experiências, fortalecimento das identidades e da diversidade cultural do Brasil como contribuição a um nova paradigma de educação baseado nos princípios de cooperação e sustentabilidade e, em pedagogias artísticas.
Nesse sentido, o núcleo ABRA Ceará vem construindo o ENA como processo de fortalecimento das experiências e práticas do Ceará através de encontros que chamamos de ABRAços, buscando sempre integrar outras pessoas, grupos e instituições.  O próximo ABRAço irá acontecer no dia 03 de setembro, das 13h às 18h na casa da Pastoral Operária Santo Dias, localizada na Av. Francisco Sá, Nº 1833 – Jacarecanga, próximo a praça dos Bombeiros e vizinho a Escola de Artes e Ofícios Thomás Pompeu Sobrinho. Esperamos poder contar com a sua presença! Venha e traga frutas e retalhos coloridos para partilhar...

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O Veneno está na mesa



O diretor Silvio Tendler lançou, na noite desta segunda-feira (22), o documentário “O Veneno está na mesa” no Museu Nacional em Brasília. O evento lotou o auditório com capacidade para 850 pessoas que puderam assistir e debater o filme que trata do uso abusivo de agrotóxicos no Brasil. O filme faz parte da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos.


O documentarista Silvio Tendler ressaltou a importância de a população ser informada sobre os efeitos dos agrotóxicos e a necessidade dos movimentos sociais tomarem medidas para mobilização da sociedade. “É uma questão de saúde pública”, alertou.

A Campanha reflete a preocupação que diversos setores da sociedade têm diante do avanço alarmante do consumo de agrotóxicos no Brasil. Atualmente estão em processo de consolidação comitês da Campanha em 23 estados que contam com a participação de movimentos sociais, ambientalistas, ONGs e sindicatos.

domingo, 21 de agosto de 2011

10 anos sem Patrão


       
        Em 2001 em meio a crise econômica na Argentina dezenas de fabricas e empresas começaram a fechar suas portas decretando falência. Centenas de trabalhadores desempregados ocuparam as fábricas, e após muita luta no poder judiciário os trabalhadores formaram uma Cooperativa com os princípios de salários iguais para todos e todas, assim como a paridade das decisões em Assembleias que decidem os rumos das empresas.

      Ao todo são 170 empresas controladas diretamente pelos trabalhadores através das inúmeras Cooperativas por eles criadas. Nos mais diversos ramos como Laticínios; Bebidas; Supermercados; Têxteis... Com cerca de 9.100 trabalhadores envolvidos diretamente.
     As Empresas Sem Patrão completam dez anos de luta e desenvolvimento econômico e cultural. Pois parte dos lucros da empresa além de ser dividida entre todos e todas é destinada a apoiar projetos sociais e culturais como os inúmeros Centro de Cultura Popular da Argentina.

Para maiores informações:
 - Sin Patrón: Fabricas y empresas recuperadas por sus trabajadores. Editora La vaca. Argentina, 2007.
 - Revista Caros Amigos, Ed. nº137/2011
 - Portal OACA Link

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Acampamento Revolucionário Indígena


         Nos últimos meses o movimento indígena vem se articulando através de inúmeras ocupações por todo o país na luta pelo fim da discriminação indígena pela autonomia dos Povos Indígenas. O movimento conhecido como Acampamento Revolucionário Indígena também luta pela revogação do Decreto 7.056/09 que leva os índios a uma anti-democracia, pois extingue muitas aldeias e as transforma em um campo de concentração. Em seguida segue a Carta elaborada pelo Acampamento Revolucionário Indígena.


                                 CARTA DISCRIMINAÇÃO DOS POVOS NATIVOS INDÍGENAS


             Houve uma Audiência Pública no Ministério Público Federal, no Rio de Janeiro, onde se discutiu o Patrimônio Cultural da Ocupação Indígena do Maracanã. Não queremos a demolição por empreiteiras. O governador está abusando de seu poder contra o Povo Trabalhador e todas as classes. Não há liberdade de imprensa nos meios de comunicação. O Comitê de Direitos Humanos não funciona, está fechado. O Comando Militar controla todos os 27 estados brasileiros. A Ditadura Militar continua ainda hoje nos estados. 
             Os povos trabalhadores, os operários, os sindicalistas, os agricultores não têm direitos de reivindicar seus direitos. Somos tratados como escravos e humilhados. As eleições estão perto e o Povo trabalhador tem que tomar o poder e transformar o pode em popular. Para isso, temos que fazer audiências públicas entre os povos, fazer greve geral e nacional, e paralisações. Todos: agricultores, operários, Petrobras, sindicatos, motoristas. Todos os Povos Unidos ficam mais fortes. Os Povos Unidos ficam mais fortes. Fazer uma greve popular dos povos, da classe trabalhadora e tornar o poder para o povo, esse é o nosso objetivo.
             O Governo é o Povo, é a classe trabalhadora e devemos criar um governo popular. Para isso, precisa-se de coragem e determinação, e que surjam os Guerreiros do Grande Espírito. E serão as eleição que irão decidir. O Governo Popular será de trabalhadores. Vamos mudar a História do brasileiro e transformar aqui em um Governo Popular, e de povos e cultura. Para isso, precisa-se de uma greve nacional e de fazer assembleias.
                  Nós, Povos Unidos, ficamos fortes e resistiremos. E aí teremos uma coletiva de imprensa popular. A imprensa será a mediadora. é hora de mudar, Brasil! Sua História é de Ditadura Militar e devemos transformar o governo para os trabalhadores. O PT é burguês, atrelado ao capitalismo internacional. Ficaremos mais fortes unidos. Vamos todos ocupar as pistas, sentar no chão, tirar as camisas e virar índio. Vamos urrar os gritos de guerras indígenas: "UUUUUUUUUUU". Todos nós cantaremos esses gritos de guerra: "O Comando é Korubo. O Comando é Korubo. O Comando é Korubo". Os jornalistas vão acompanhar as negociações, de forma pacífica. Todos os lideres dos movimentos convocarão uma assembléia para negociar. Faremos uma carta na hora para as nossas reivindicações. Até que termine as negociações, ficaremos sentados. Todos sentados. Vamos organizar para divulgar nossa luta nos meios de comunicação, pela Internet. Não queremos mais torturar. Faremos abaixo-assinados internacionais. Assim, abriremos a porta para a nova visão política de democracia. Lutaremos pela reparação das torturas cometidas no regime militar. Faremos assembleias gerais para escutar grito dos excluídos.
                                          Os Povos Unidos Jamais serão Vencidos!
                                          Os Povos Unidos Jamais serão Vencidos!
             Devemos lutar para aplicar a Convenção 169 da OIT. Sabemos que são os militares que não respeitamos os Tratados. Sabemos que todo o nosso petróleo está com a OTAN, e que o Brasil é membro da OTAN. É por isso que o Brasil foi escolhido para sediar as Olimpíadas. É um jogo estratégico em que os militares estão ligados à Petrobrás. E Barack Obama precisa desse petróleo para a releição nos EUA. 
                                         
Cacique Korubo, lider do Acampamento Indígena Revolucionário.

Maiores informações:Aqui